domingo, 26 de julho de 2015

A Auxiliadora Idônea do Pastor - Parte 1 por: Dr. Joel R. Beeke


“Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus.” 1 Timóteo 3:8-13 
A esposa de um pastor tem um nobre chamado. Em alguns aspectos, este chamado é como o de qualquer outra mulher cristã. Deus diz em Gênesis 2:18: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” Beba dessas palavras. Seu marido precisa de você. Você foi especialmente criada por Deus para ser “auxilio” para ele, feita para suprir suas necessidades, ser o encaixe perfeito, correspondendo a ele e ao seu chamado no mundo. Portanto, você deve ajustar sua vida à dele, como sua auxiliadora. Esse é o chamado de cada mulher.
No entanto, em outros aspectos, a esposa de um ministro tem uma vocação especial por causa da natureza especial da vocação do marido. Ele tem dons especiais, responsabilidades e honra dentro da igreja. Se ele serve bem, ele receberá uma coroa de glória especial do Sumo Pastor (1 Pedro 5:5). Portanto, o seu chamado como esposa dele envolve responsabilidades especiais e honra especial. Você é a auxiliadora de um pastor. Você é chamada para ser sua companheira no sentido espiritual e para ser seu apoio. Este é o cerne da minha mensagem, que é baseada em 1 Timóteo 3:11. Apesar de você, como esposa de um crente, ser chamada a muitas coisas, vamos nos concentrar especificamente na sua vocação como companheira de um ministro.
Você pode achar estranho eu ter prefaciado esta palestra com uma passagem das Escrituras que fala sobre os diáconos. Não me entenda mal, não estou nomeando nenhuma de vocês para o cargo de diácono. Também não estou dizendo que o pastor é um diácono, pois a Bíblia ensina claramente que o papel do pastor pertence à categoria de presbíteros (Atos 20:17, 28, 1 Pedro 5:1-2). Pastores são Presbíteros Docentes, uma categoria de presbíteros que são chamados para o trabalho na pregação. Eles são, portanto, dignos de honra dobrada (1 Timóteo 5:17.).
Mas vamos voltar para a 1 Timóteo 3:8-13. Em meio à descrição dos homens que estão qualificados para servir como diáconos há uma declaração que diz respeito especificamente às esposas: “Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo.” Sei que existem diferentes traduções e interpretações para este versículo. Apesar de “esposas” também poder ser traduzido como “mulheres”, a gramática grega mostra que esta categoria é distinta da de diáconos e não se refere a diaconisas. Além disso, essas mulheres não são oficiais na igreja, pois a referência de Paulo a elas é breve e é no meio de sua discussão acerca dos diáconos (vv. 8-10, 12-13). É coerente com o ensinamento de Paulo em 1 Timóteo 2:12 que as mulheres não devem ensinar ou ter autoridade sobre os homens na igreja. A mesma palavra “esposa” aparece em 1 Timóteo 3:12, que se refere a “maridos de uma só mulher”. Assim, o melhor é considerar o versículo 11 não como uma declaração genérica sobre mulheres no ministério, mas como uma afirmação de que a esposa de um diácono deve ter certas características espirituais.
Paulo não oferece nenhuma declaração comparável sobre as esposas dos pastores no início de 1 Timóteo 3. Mas, certamente, se a esposa de um diácono deve ter essas qualidades, quanto mais deve esposa de um pastor tê-los?
Portanto, o versículo 11 estabelece o caráter espiritual da esposa de um oficial de igreja: a gravidade, a confidencialidade, a sobriedade e a fidelidade. A beleza espiritual de uma mulher piedosa é como uma linda flor, cada uma tem suas próprias características. O crescimento de um jardim de flores, desde sementes até serem flores desabrochadas, não se dá em um dia, esse crescimento leva tempo e precisa de esforço, assim como das bênçãos: chuva e sol. Assim, peço-lhe que, na dependência do Espírito Santo, você se revista das graças de uma mulher piedosa, dedicando para isso, o seu tempo e os seus esforços, e contando com as bênçãos de Jesus Cristo, que se entregou para resgatar você de toda iniqüidade e para fazer de você Sua propriedade exclusiva.
  1. A gravidade
A palavra traduzida como “Respeitáveis” em nosso texto significa honrosa ou “grave”, digna de respeito. Isso sugere uma pessoa que tem uma postura séria quanto ao viver de acordo com a lei moral de Deus. Se uma mulher é uma flor, a gravidade é o caule da flor. A esposa do pastor pode ser bonita e delicada, em alguns aspectos, como as pétalas de uma flor, mas ela também precisa de espinhos fortes. Isso não significa que você deva ser dura, mas você precisa ser forte. Provações e tentações vão exigir isso de você.
Uma mulher digna de honra, de acordo com Provérbios 31:30, é “a mulher que teme ao SENHOR”. O texto continua dizendo: “essa será louvada”. Esta mulher vê algo do esplendor infinito de Deus, e seu coração se deleita em temê-lo. Ela vê o céu e o inferno como realidades inevitáveis, o que dá a ela um grave ou sério compromisso em fazer a vontade de Deus em todas as coisas.
Não pense que a palavra “gravidade” sugere que a esposa de um pastor deva ter os nervos dos lábios cortados de forma que ela não possa mais sorrir, muito menos beijar seu marido. A verdadeira gravidade é consistente com risos e amor. Lembre-se de Provérbios 17:22, ” O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos.” Quanto mais você teme ao Senhor, menos temerá aos homens, tornando-se assim uma mulher cheia de esperança.
Uma esperança, sólida e reverente lhe permitirá fazer os sacrifícios necessários para o ministério, bem como para a vida cristã diária. Não espere que seu marido trabalhe apenas 40 horas por semana; poucos homens de qualquer vocação o fazem. Você pode desejar mais do seu tempo e atenção, eu não estou dizendo que você deva sacrificar o seu casamento diante do “ídolo do ministério”. Deus ordena que você desenvolva o seu casamento, e falaremos sobre isso em breve, mas ser uma auxiliadora envolve sacrifício. Se você vir os sacrifícios do ministério através da lente de temor do Senhor, você se alegrará. Se você tiver gravidade de alma, o ministério da pregação do evangelho terá um peso tão glorioso, que fará a dor parecer leve e momentânea.
Um caráter grave também irá ajudá-la a honrar o seu marido. Efésios 5: 22 diz: “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor”. Você deve honrar e se submeter ao seu marido, mesmo que ele tenha um caráter imperfeito, porque a sua autoridade e o que ele é chamado a fazer (o seu ministério), reflete a justiça perfeita e a infinita majestade de Deus. “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos.” (Provérbios 12:4). Sara Leone escreve: “Lembre-se que seu marido é julgado, em parte, pelo seu comportamento. Seja seu trunfo, não sua deficiência.”



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*Esse artigo é uma palestra ministrada pelo Dr. Joel Beeke às esposas dos estudantes do Puritan Reformed Theological Seminary.

Um Marido e Uma Família Bíblica - Paul Washer




sábado, 25 de julho de 2015

Corpolatria o Ópio de Nossa Sociedade - Suzy Costa

Corpolatria...Narcisismo...Egolatria! Anorexia...Bulimia...Vigorexia! Onde vamos parar?



A semiótica da aparência, não tenho por intenção usar de  exagero de linguagem, torna-se hoje o elemento mais significativo de nosso valor cultural. Somos aceitos mediante a uma forma física  instituída, através dos meios de comunicação de massa, onde tem levado toda uma geração ao culto a beleza, ou seja, a idolatrar seu corpo.

 Outrora, homens eram valorizados por seu intelecto, em um tempo em que o saber era o sabor que muitos queriam apreciar ;em outros períodos pessoas se faziam notáveis por lutarem por ideais igualitários mediante teorias apresentadas, e vistas pela burguesia como utopia já que não seria de seu interesse qualquer perda, por serem eles os que detém a máquina de produção, mesmo assim, esses ideais faziam homens e mulheres inexoravelmente irrepreensíveis em seus objetivos; em outros momentos da história, pessoas se faziam brilhantes por exercerem diligentemente sua profissão pautada na ética. 

Entre tantas outras expressões dignas de serem imitadas, assim como se faz por necessário sobressair a maior entre todas as que mencionamos, é a de sermos piedosos, "E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo"( I Ts 1:6); Nos deparamos agora em tempos do apogeu ao corpo, em que a apoteose é a boa forma do físico consagrando homens e mulheres.

Quero gritar não posso sufocar, quantos mortos vivos vejo transitar, fico a olhar o saradão a passar exibindo seus músculos  para menina olhar, mais que preciso para ele mesmo contemplar. Ainda vejo assim, a loira siliconada passando toda armada com suas mamas infladas, só sendo desejada e por ela mesma cultuada, por sua performance implantada sem ser in natura. Vejo ainda transcorrer com seu novo jeito de ser, a quarentona que deixando de ser vovó passou a malhar, e exibir suas pernas malhadona. E, entristeço-me ainda mais com aquela jovem, vejam só! descaracterizada totalmente desfigurada sempre obcecada por um corpo esquelético, onde sua imagem reluz todo processo anoréxico. Onde vamos parar?

Sei que posso,  sei que podemos, o quê? Gritar, falar, ensinar, orar... Porém, tudo permanece na retórica, já que permanecemos nos nossos alojamentos, usando de uma perfídia aos ensinamentos do nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo, que enquanto no mundo, tentou descortinar todos os vícios funestos de uma sociedade não tão dissemelhante a nossa, onde a reflexão das ondas sonoras de seus discursos se faz ouvir até os dias de hoje, e seus gestos e atos de amor ainda reflete naqueles que o buscam. Então, ser discípulo é ser congênere de seu mestre; a nossa frente está uma sociedade narcísica, o que fazer para mudar o jeito ególatra de ser!

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."( Rm 12:2)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Lendo a Bíblia Hoje - Augustus Nicodemus Lopes


Alguns aspectos da pós-modernidade - nome que se dá à época em que estamos vivendo - se constituem em sérios desafios à leitura bíblica feita pelos reformados, mesmo aqueles que nunca ouviram o nome "pós-modernidade". 

Os reformados têm tradicionalmente interpretado as Escrituras partindo de alguns pressupostos oriundos da Reforma protestante. O mais importante deles é que as Escrituras são divinas, em sua origem, infalíveis e inerrantes no que ensinam, seguras e certas no seu ensino. Para eles, a Bíblia é a revelação da verdade. Em decorrência, só existe uma religião certa, a que se encontra revelada na Bíblia. Logo, no raciocínio reformado, tudo o que é necessário à vida eterna e à vida cristã aqui nesse mundo estão claramente reveladas na Escritura. E tais coisas são claramente expostas nela.

Existem alguns aspectos da pós-modernidade que desafiam esse pressuposto central da interpretação reformada das Escrituras.

1) O conceito de tolerância. Eu me refiro à idéia contemporânea de total complacência para com o pensamento de outros quanto à política, sexo, religião, raça, gênero, valores morais e atitudes pessoais. Neste conceito de tolerância, as pessoas nunca externam seu próprio ponto de vista de forma a contradizer o ponto de vista dos outros. Esse tipo de tolerância não deve ser confundida com a tolerância cristã, pois ela resulta da falta de convicções em questões filosóficas, morais e religiosas: "A tolerância é a virtude do homem sem convicções" (G. K. Chesterton). A tolerância da pós-modernidade é fortalecida pela queda na confiança na verdade, atitude típica de nossa época.

É preciso observar que existe uma tolerância exigida do cristão. Devemos tolerar as pessoas. Todavia, não temos de tolerar suas crenças, quando estas contrariam a verdade de Deus revelada nas Escrituras. Temos o dever de ouvir o que elas tem a dizer, e aprender delas naquilo em que se conformam com a verdade bíblica. Porém, tolerância ao erro, quando a verdade bíblica está em jogo, é omissão.

A tolerância tão característica da pós-modernidade pode afetar a interpretação da Bíblia levando as pessoas a interpretá-la a partir do conceito de "politicamente correto." Evita-se qualquer leitura, interpretação ou posicionamento que venha a ser ofensivo à sociedade ou comunidade a que se ministra. Textos bíblicos que denunciam claramente determinados comportamentos morais são domesticados com uma leitura crítica que os reduz a expressões retrógradas típicas dos moralistas machistas do século I. Textos que anunciam a Cristo como o único caminho para Deus são interpretados de tal forma a não excluir a salvação em outras religiões.

2) O inclusivismo. Num certo sentido, é o resultado do multiculturalismo do mundo pós-moderno. Não há mais no mundo ocidental um país com uma cultura única e uma raça homogênea. Países ocidentais são multiculturais e têm uma mescla de diversas raças. Para que não se seja ofensivo, e para que se possa conviver harmoniosamente, é necessário ser inclusivista. Isso significa dar vez e voz a todas as culturas e raças representadas.

Na sociedade pós-moderna, o conceito ser estende para incluir os grupos moralmente orientados. Significa especialmente repartir o poder com as minorias anteriormente oprimidas pelas estruturas de poder, como por exemplo, os homossexuais, pobres e minorias étnicas.

Existem coisas boas do inclusivismo multiculturalista, como por exemplo, estudos nos meios acadêmicos sobre a cultura de raças minoritárias e oprimidas no ocidente, como africanos, hispânicos e orientais. Também a criação de bolsas de estudos e empregos para membros destas minorias raciais, bem como de grupos oprimidos, como as mulheres. Ainda digno de nota é a luta contra discriminação baseada tão somente em raça, religião, postura política e gênero.

Mas existem coisas que nos preocupam no inclusivismo. A maior de todas é que o inclusivismo exclui qualquer juízo de valor em termos morais, religiosos, e de justiça. Tem que ser assim para que o relacionamento multicultural e multi-moral funcione.

O inclusivismo acaba também influenciando na interpretação bíblica. Sua mensagem é abordada do ponto de vista do programa das minorias. Por exemplo, a chamada teologia da libertação (meio defunta hoje) e as teologias feministas. 

3) O relativismo. No que tange ao campo dos valores e dos conceitos morais e religiosos, é a idéia de que todos os valores morais e as crenças religiosas são igualmente válidos e que não se pode julgar entre eles. A verdade depende das lentes que alguém usa para ler a vida. O importante é que as pessoas tenham crenças, e não provar que uma delas é certa e a outra errada. Não há meio de se arbitrar sobre a verdade porque não há parâmetros absolutos. Desta forma, alguém pode crer em coisas mutuamente excludentes sem qualquer inconsistência.

Existem alguns perigos no relativismo quanto à leitura da Bíblia. Primeiro, o relativismo acaba por minar a credibilidade em qualquer forma de interpretação que se proponha como a correta. Segundo, acaba por individualizar a verdade. Cada pessoa tem sua verdade e ninguém pode alegar que a sua é superior à dos outros. Portanto, ninguém pode ter a pretensão de converter outros à sua fé.
Muitos cristãos são tentados a suavizar a sua interpretação da mensagem do Evangelho, excluindo os elementos que não são "politicamente corretos" como: pecado, culpa, condenação, ira de Deus, arrependimento, mudança de vida. Acaba sendo uma tentação de escapar pela forma mais fácil do dilema entre falar todo o conselho de Deus ou ofender as pessoas.

Esses são alguns dos perigos que a pós-modernidade traz à leitura e interpretação das Escrituras. Reconhecemos a contribuição da pós-modernidade em destacar a participação do contexto e do leitor na produção de significado, quando se lê um texto. Porém, discordamos que isso invalide a possibilidade de uma leitura das Escrituras que nos permita alcançar a mensagem de Deus para nós e de ouvir a voz de Cristo, como Ele gostaria que ouvíssemos.

* Texto extraído do Blog : O Tempora!O Mores!

Inimigos da Cruz de Cristo - Suzy Costa




O cenário dos púlpitos da igreja de nossa geração é de um palco, onde astros se apresentam, ou de um mercado onde se comercializa em nome do evangelho, esse é o culto contemporâneo do mundo gospel, esse é o culto da igreja dos "evangélicos".

A pergunta é para onde foi a igreja do EVANGELHO"?Ou seja, a igreja cristã primitiva, a dos mártires da igreja, a que os pré-reformadores e reformadores fizeram ressurgir, a que os puritanos defendia e pregava de forma piedosa.
Aos que praticam tal insensatez a bíblia os chama de inimigos da cruz, onde Paulo fala em Filipenses 3:18..."são inimigos da cruz de Cristo; cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisa terrenas." E, aconselhando a Timóteo: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem"(I Tm 4:16).

Solus Christus,

Apreciando a Verdade em Benefício do Amor - John Piper



Pensando sobre o obscurecimento da verdade para obter triunfo
Joel Belz, o principal executivo da revista World, escreveu: "Existe em nossos dias uma suposição perversa... predominante entre os evangélicos, de que os sentimentos, as atitudes e os relacionamentos são mais importantes do que a verdade. A unidade é uma prioridade mais elevada do que a ortodoxia. A divisão, ainda que por amor à verdade, é a mais ofensiva das heresias" (Semana de 12-19 de julho de 1997, p. 5).
Talvez a palavra "perversa" necessite de qualificação. Não entendo as palavras de Belz no sentido de que todos os que valorizam a unidade têm motivos perversos. Também não o entendo como que dizendo que sempre é perverso ter falta de entendimento involuntário que nos impede de perceber que, por trás de um problema de relacionamento, há uma questão concernente à verdade. O que é perverso é obscurecer intencionalmente uma afirmação da verdade, por desviar a atenção a uma atitude, ou a um estilo, ou a um sentimento, ou a um motivo. Isto é o que parece comum hoje.
Por exemplo, talvez você diga: "A nudez, como uma forma de entretenimento, é contrária à vontade de Deus concernente à modéstia, porque deixa de tratar o corpo como um patrimônio sagrado que deve ser usado para a glória de Deus". Esta é uma afirmação da verdade. Exorta as pessoas a levarem em conta uma realidade objetiva chamada "a vontade de Deus". Pede às pessoas que considerem esta afirmação e formem um julgamento sobre a sua verdade. Além disso, ela traz consigo implicações a respeito do tipo de entretenimento que alguém aprovará ou a respeito da maneira como gastará o seu tempo.
No que concerne à verdade, alguém pode responder: "Concordo". Ou: "Não concordo, porque não creio que Deus existe; por isso, não acho que você possa falar com legitimidade sobre a vontade dEle". Ou: "Acho que Deus se deleita no corpo que Ele criou e não desaprova a nudez como forma de entretenimento". Todas estas respostas se referem ao nível da afirmação da verdade. Razões podem ser apresentadas de ambos os lados, e o diálogo pode continuar. Talvez aconteça alguma persuasão ou mudança de pensamento.
Mas isso não é o que acontece sempre. O que ocorre com mais frequência é uma estratégia verbal que desvia atenção da afirmação da verdade para uma atitude que anula astuciosamente a verdade para ouvintes não dados à reflexão. Por exemplo, uma resposta pode ser: "Lamento que você não possa lidar com sua própria sexualidade e tenha de lançar sobre os outros os seus sentimentos de vergonha". Ou: "Vida longa para o pudor vitoriano!" Ou: "Considerando que existem oitenta mil refugiados no Zaire, seria imaturidade de nossa parte nos preocuparmos com questões morais relacionadas ao comprimento de saias". Ou: "Moralistas conservadores, que citam reiteradamente a Bíblia e usam seus textos como prova, não entendem a natureza da arte e nunca farão qualquer contribuição significativa para a cultura". Ou: "Por trás da escrupulosa inquietação acerca do corpo humano, podemos encontrar uma juventude reprimida e uma mãe puritana". Ou: "É o cúmulo da arrogância alguém vestir a sua própria moralidade com os absolutos divinos".
Todas estas respostas ignoram a verdade. São evasivas. Expressam o modo como as pessoas astutas "vencem", por criticarem os outros, usando rótulos. Isto é o que Joel Belz chama de "perverso".
Minha súplica em favor da igreja é que ela coloque a verdade e o amor (a ortodoxia e a unidade, os fatos e os sentimentos, a realidade e os relacionamentos) na ordem bíblica. Por exemplo, Paulo disse em 1 Timóteo 1.5: "Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia". Observe a ordem: a instrução é o alicerce e leva ao amor, por meio da pureza e da fé. Ou considere, mais uma vez, a ordem em 1 Pedro 1.22: "Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente". Novamente, a verdade precede o amor e transforma a alma em benefício do amor. Até na revelação espetacular de 1 João 4.8 — "Deus é amor" —, "Deus é" provê o fundamento para "Deus é amor".
Não seja enganado por esta falsa dicotomia. A verdade e o amor não estão em desacordo. Pelo contrário, por causa do amor, aprecie a verdade. Permita que este amor pela verdade e a verdade pelo amor governem sua linguagem da maneira como governavam a linguagem de Paulo. "Não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus" (2 Coríntios 2.17)." Não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade" (2 Coríntios 4.2). Tenha em mente a verdade sobre a qual você está falando, "na presença de Deus", e sua linguagem será uma serva do amor.
Fonte: Extraído do livro: Provai e Vede - 2008 - Editora Fiel (páginas 117-119).

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Lições Do Casamento De Um Pastor: Charles e Sussannah Spurgeon - Parte 3" por Dr. Gerald Bilkes

4. A vida deles foi caracterizada pelo temor a Deus, e não aos homens.
Charles entendia quão sagrada era a tarefa da pregação. Ele disse, em 1858, enquanto um jovem pregador, “Eu posso afirmar, e Deus é minha testemunha, que eu nunca temi a face de homem…mas eu frequentemente tremo – na verdade, eu sempre tremo – subir ao púlpito, e não pregar fielmente o evangelho a pobres pecadores perdidos… Ocupar o púlpito não é coisa de criança; aquele que acha que é deverá achar algo mais temível do que o jogo do Diabo no dia do julgamento vindouro.”
Um pouco mais tarde, em 1883, ele disse: “Eu tenho pregado o evangelho agora por mais de trinta anos e… frequentemente, quando subo ao púlpito, eu sinto meus joelhos baterem um no outro, não que eu tenha medo de qualquer um dos meus ouvintes, mas eu penso na prestação de contas que devo a Deus, se eu preguei a Sua Palavra fielmente ou não.”
Apesar de ter sido incrivelmente bem-sucedido como pastor, Charles viu que verdadeiros resultados no ministério vinham apenas de Deus, e que, de fato, ser muito amado e admirado poderia ser algo perigoso. Veja o que ele disse certa vez: “Eu não espero ver tantas conversões nesse lugar como eu vi um ano atrás, quando eu tinha bem menos ouvintes.. um anos atrás eu era insultado por todos… mas Deus me deu centenas de almas… eu não espero ver isso agora. Meu nome é de certa forma estimado… isto me faz temer, para que Deus não me esqueça enquanto o mundo me estima.”
Nos domingos à noite Susannah lia para Charles – e quando ele sentia que não tinha sido um pregador tão fiel quanto ele deveria ter sido naquele dia, ele pedia a ela para ler uma parte do livro de Richard Baxter, O Pastor Aprovado. Enquanto ela lia, dizia Susannah, ela era frequentemente interrompida pelos soluços dele, até que a sua própria voz também falhava de emoção e simpatia, e ela chorava com ele – ele estava chorando porque sua consciência estava aflita com os seus fracassos; e ela, porque o amava e queria compartilhar da tristeza dele.
Esse temor a Deus que era tão evidente na vida de Spurgeon como pastor era certamente um antídoto contra o temor a homens. Isso foi algo que alguém escreveu sobre ele após a sua morte: “Um homem tão maravilhoso, e ao mesmo tempo tão simples… ele não se preocupava com a opinião humana… nós nunca conhecemos um homem público que pensasse tão pouco sobre si mesmo, pois acima de qualquer outra coisa, sua única ambição parecia ser “Como posso exaltar meu Deus?” Eu mencionei anteriormente que Charles esteve envolvido em controvérsias e teve que lidar com muito criticismo durante sua vida de pregação. E muitos dos que o criticaram o fizeram de forma escrita. Susannah admitiu mais tarde que esses ataques foram uma grande aflição que ela teve que suportar. A fim de encorajá-lo, ela tinha os seguintes versos impressos e postos numa moldura para ele: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” Eles penduraram esse texto no quarto deles, onde Spurgeon poderia lê-lo todos os dias pela manhã e ser fortalecido com isso.
Outro texto que estava no quarto deles era: “provei-te na fornalha da aflição”. Essa perspectiva bíblica certamente os ajudou a focar seus olhos não no mundo dos homens, mas no Deus a quem eles serviam.
5. Charles e Susannah viveram uma vida generosa, confiando na generosidade de Deus.
Após o casamento, Charles e Susannah estabeleceram uma casa muito modesta e viveram de forma bem econômica. Charles já queria ajudar jovens rapazes no ministério, então das suas economias eles contribuiam financeiramente para suportar e treinar tais jovens – desse pequeno começo, eventualmente surgiu a Universidade para Pastor. Susannah dizia que dividia a alegria de seu esposo em começar esse trabalho, e eles planejaram e economizaram juntos para que a obra continuasse. Ela disse que eles tiveram um tempo bem apertado financeiramente, mas depois eles viram que essa tinha sido a forma de Deus prepará-los para ajudar jovens pastores nos anos seguintes. As vezes eles mal tinham dinheiro para as coisas básicas.
Charles queria fazer mais do que ajudar jovens rapazes. Ele também amava ajudar viúvas que precisavam de proteção e crianças que precisavam de educação. Ele construiu uma casa de misericórdia e um orfanato, financiando muito do sistema de aquecimento, luz e outras despesas com seu próprio dinheiro até que o auxílio chegasse de outro local. A atitude dele era a de procurar diversas formas de servir ao próximo, e não esperar que oportunidades chegassem até ele. Ele também encorajava a sua igreja a criar novos ministérios. Eis o que ele certa vez disse à sua congregação: “Queridos amigos, nós somos uma grande igreja, e nós deveríamos estar fazendo mais pelo Senhor nessa grande cidade. Eu quero que nós, hoje, possamos pedir a Deus que ele nos envie novos trabalhos; e se nós precisamos de dinheiro para seguir adiante, oremos para que os meios também sejam enviados.”
É encorajador ver como Deus recompensou esse espírito confiante e generoso da família Spurgeon. Após alguns anos de casamento, quando eles já tinham vivido numa pequena casa por vários anos, foi decidido que eles precisavam de uma casa maior, com um espaço para um grande biblioteca. Alguns do amigos ricos de Spurgeon, que o conheciam o suficiente para saber que eles levavam uma vida muito generosa com o dinheiro, muitas vezes dando cada centavo que sobrava para uma daquelas causas que eles amavam, decidiram que não era justo que os Spurgeons assumissem o custo de uma nova casa, e concordaram em arcar com a maioria das despesas como forma de apreciação por eles.
Eu já mencionei o início do Fundo para compra de livros da senhora Spurgeon. À medida que a ideia de colocar uma cópia do livro de Charles na mão de outras pessoas veio à sua mente, ela lembrou que havia coletado pedaços de coroa por algum tempo e que eles estavam guardados numa pequena gaveta no andar de cima. Ela foi buscá-los e ao contá-los sua soma era exatamento o valor correspondente a 100 cópias do livro. Ela disse que se sentiu qualquer arrependimento de ter se desfeito de sua coleção, tal sentimento se dissipou rapidamente, e ela doou livre e agradecidamente ao Senhor – e naquele momento seu Fundo para compra de livros surgiu. Pobres ministros foram convidados a pedirem uma cópia do livro, e ela recebeu muito mais que 100 pedidos. Ela terminou doando 200 cópias. Mais tarde outros livros também foram distribuidos. Existem muitas histórias interessantes sobre doadores muito generosos que apareceram – os Spurgeons nunca pediram dinheiro, eles esperavam que o Senhor movesse corações que livremente contribuissem com a obra.
Susannah escreveu sobre esse fundo de reservas em 1877: “O Fundo para compra de livros tem sido nutrido e alimentado pelo tesouro do Rei, e eu tenho que me gloriar no senhor pois todas as coisas necessárias para a continuação da obra tem tão somente carregado a estampa do mérito divino. Eu digo isso porque eu nunca pedi a ajuda de alguém senão a Dele, nunca solicitei doações de qualquer criatura, e mesmo assim dinheiro sempre veio e provisão constantemente vem no momento e quantidade necessário.”
Ela escreveu muito sobre esse fundo, logo, você pode ler mais a respeito caso deseje – mas só para dar uma ideia do tamanho desse ministério, seu ultimo relatório anual de trabalho, dos anos de 1901 e 1902, mostraram que nos 27 anos em que ela fez isso, 199.315 valiosos livros teológicos tinham sido colocados nas mãos de pregadores que eram pobres para comprá-los. Essa foi uma obra conquistada por uma senhora inválida, e ela continuou a fazê-la mesmo após a morte de Charles.
Eventualmente um amigo deu a Susannah certo dinheiro para ajudar os pobres, e com o seu marido e outros amigos também colaborando, foi criado o Fundo de Auxilio Pastoral. Mais tarde, dois amigos deram a ela dinheiro para começar a distribuir uma revista, A espada e a pá, para ministros que não tinham condições de adquirí-la. E então seu ministério continuou, e os Spurgeons tiveram muitas oportunidades de ver a mão maravilhosa de Deus provendo recursos para os trabalhos as vezes de maneira até miraculosa.
Essa citação de Charles parece resumir a atitude que os Spurgeons tinham sobre o ministério que eles levavam com o mundo ao redor deles: “Quando você lamentar a iniquidade do mundo, não deixe as suas emoções terminarem em lágrimas; mero choro não fará nada sem ação. Fiquem de pé, vós que tendes voz e conhecimento, vá e pregue o evangelho, pregue em cada rua e canto dessa grande cidade; vós que tendes riquezas, vá e use-as com os pobres, doentes, necessitados, com os que estão à beira da morte, os analfabetos, e os ignorantes; vós que tendes poder de oração, vá e ore; vós que sabeis manusear a caneta, vá e escreva as iniquidades cometidas – cada homem no seu posto, cada um com a sua arma nesse dia de batalha; agora por Deus e por sua verdade; por Deus e pelo o que é justo; que cada um de nós que conhecemos o Senhor possamos lutar usando o Seu estandarte!”
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geraldbilkes*Esse artigo é uma palestra ministrada pelo Dr. Gerald Bilkes às esposas dos estudantes do Puritan Reformed Theological Seminary, gentilmente revisada e adaptada à forma escrita pelo autor especialmente para ser publicado no blog Mulheres Piedosas.